quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Eu ouvindo Eu


Silêncio que grita
Ensurdece o coração
E ele só ba-te-ba-te…
Até sangrar bastante

O fluido escorre, pinta,
Jorra de cores o chão
Expressa, de repente:
A loucura é pura arte!

Se o arco-íris inexistisse
Iria criá-lo com um piscar de olhos
Embora o mundo esteja cheio de dor,
a vida pode ser vista com amor.

E assim,
mesmo sem razão,
A beleza invade
a visão do artista.

Eu ouvindo Eu
É nesse Eu que encontro Nós
D' Eus na multidão...


Imagem: Fiery Dance - Vladimir Kush

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A música que nunca foi nossa

Eu, uma criança inocente,
com a minha redentora nos braços
Dormirei sem querer acordar
deste sonho evanescente.

Eu rogo orações ensandecidas
Oh, só os anjos compreendem
Emoções tão fortes
na loucura pura das palavras
que ainda não existem.

Seus lábios nutrem os meus
Limparam as manchas
Memórias de vida passadas
O que deixei para trás
já não importa
Paixões que consumi
Vidas que nunca amei
Corpos pelo chão

Agora que sinto a insustentável
leveza de amar
Pago pelos meus pecados
A música que nunca foi nossa
continua um ruído entre nós
A cada curva dessa estrada…


Capinando a sorte


Insisto: floresça!
Para não desaparecer
a doce lembrança
Mas o que fazer
se a semente
está dormente?
O capim sempre nasce.

Palavras são vãs
Vão e voltam
Voltam e se enrolam
várias vezes, em várias
posições, lugares e pessoas
como se fossem únicas!

Nada é tão original
que não tenha existido antes
Tudo é tão igual
que o novo se repete!
Ainda vale a pena ver de novo
aquela cena de amor
aquele bom ator
copiar mais adiante
O ensaio para a sempre primeira vez
se for um último romântico sonhador.

Insisto: esqueça!
Esqueça a flor
Esqueça a semente
Essa coisa de dormente
E também a dor
Vá capinar um lote
que é melhor!
O capim sempre nasce.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

De um verde indescritível



Sobre ombros de gigante
Enxergo o horizonte
Quero chegar aos limites
que nunca tocamos antes!

Não posso viver de sombras
Queimo nas verdes chamas
para renascer das cinzas

Sou um novo Eu
do olhar que era seu.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O que sinto são flores...



Sugestão de acompanhamento musical:



O que sinto são flores... Pétalas de seda vermelha que caem sobre o chão. As rosas sabem se desnudar delicadamente do fardo leve que sustentam. Restaram-me os espinhos que espetam os dedos da alma, escorrendo os últimos pingos de vinho tinto anterior aos nossos nascimentos. Flores de amor também morrem. Mas algumas são mais tristes que a própria morte. São as flores que você não me deu. Mesmo assim, guardei a essência do que não vivemos até tudo virar vinagre ao som invernoso de Vivaldi. Criei um poema romântico e esqueci que o túmulo me aguardava. O que sinto são flores… Por que só agora você me as oferta?


quarta-feira, 6 de julho de 2011

Mundo gay



O que The Strokes, Madonna, New Kids On The Block, Cristina Aguilera, T.A.T.U. tem em comum? Esta pergunta pode ser respondida com o documentário Totally Gay!, filme feito pelo canal de televisão estadunidense VH1* (www.vh1.com), que é direcionado ao público homossexual.

Este vídeo de duração de aproximadamente de 45 (quarenta e cinco) minutos aborda como o universo referente ao mundo LGBT afetou a sociedade ocidental em geral. Umas das primeiras falas é de uma mulher, remetendo-se a confusão de gêneros: “Não se sabe quem é gay, quem é hetero”. Isso porque o conceito construído em arquétipos nas performances e características do homem heterossexual não tem mais sentido de pertença ao mesmo, visão esta que se esclarece no documentário.

O filme aborda a tendência da queer art, um movimento artístico que aborda de forma direta e indireta questões relacionadas à homossexualidade, substancialmente nos campos da música, sendo a principal articuladora o canal direcionado ao público jovem, a MTV; do cinema, com a abertura de abordagens a temáticas homossexuais, atendendo a uma demanda não-conservadora; dos seriados, sendo muito lembrada a série Queer as Folk, que resumindo brevemente, mostra as aventuras sexuais entre homens que exibem corpos em padrões estéticos fortemente eróticos.

A expressão dos desejos de um público homossexual na mídia não se direcionou e restringiu ao próprio eixo articulado pelo grupo LGBT, pois, isso também ajudou, por exemplo, na libertação da libido da mulher. Ou seja, um mercado que, predominantemente, atendia os anseios eróticos do público hetero masculino, com a inserção da demanda homossexual, passou a suprir as ânsias desse mercado e das mulheres heterossexuais, que não apelavam por direitos ao consumo de contéudos explícitamente sensuais, dentre eles, o nudismo masculino.

Porém, não são só flores que o filme retrata. Casos de homofobia são relatados, que levados ao extremo, incidiram na morte de indivíduos gays por eles simplesmente assumirem a sua orientação sexual. E também o próprio ato de reivindicar a expressão do queer nas artes, na mídia, se deve pelo enorme surgimento de indivíduos com Aids no anos 80 e que era atribuído aos grupos homossexuais. Estes, então, tiveram que se articular politicamente para unirem forças contra a Igreja e o Estado e lutarem pelos seus direitos.

O documentário Totally Gay! mostra, dessa forma, a homossexualidade nos Estados Unidos em várias faces de forma não-estigmatizada, onde homens e mulheres heteros articulam-se com a cultura gay. O metrossexual é comentado, conhecido por ser a representação do tipo másculo heterossexual preocupado em cultivar em si a imagem do padrão de beleza disseminado pelos homossexuais e que atende o gosto do público feminino quanto ao corpo. Além da valorização da sexualidade explícita, a sensibilidade ganhou seu espaço no perfil psicológico masculino, onde o homem chucro perde espaço, nas preferências femininas, para aqueles que têm maior tato nos interrelacionamentos afetivos.

Alguns já devem ter ouvido essa frase: “O mundo é gay e você não sabe”. Ao assistirmos o documentário, vemos a evidência do consumo por grande parte da sociedade em interação com a cultura gay. Assim, a consequência do entendimento desse saber nos leva a tecer um tratamento mais humanista e mais valorativo o próprio ser humano independentemente da orientação sexual que ele siga.


*Este site também tem filial brasileira: http://vh1brasil.uol.com.br/

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Programa de esgotamento do homem programado pelo próprio homem


Por Luiz Alberto e Marielle Sant'Ana


Um mundo de criações técnicas em meio ao tormento da tempestade
Minutos controlados por um relógio cuco, caixa preta
A visão de um homem objetivado a voar
O sonhador queria asas em suas costas
Um anjo enlouquecido

Um mundo reprogramado em olhos visionários
Máquinas cuspindo fumaça de suas engrenagens
Homens escravizados
Sujos pela fuligem da indústria
Biomas são campos de trabalho
A grande revolução

Modernidade a todo vapor
Vidas consumidas
Fábricas de órfãos
Adultos pré-moldados a partir dos 3 anos de idade
Crianças brincam de trabalhar
Aposentadoria para alguns poucos sobreviventes deste jogo
Todas as vidas submetidas à nova sensação do momento
Trabalhar até a morte

Meu mundo velho…
Existe tanta riqueza dentre suas entranhas sujas
Consumo programado, consumidor consumido pela vontade de ter
e querer sempre mais e mais e mais…

Meu mundo belo…
Que lindas fontes de águas de suas veias!
Que belas florestas de seu rosto!
Mais que crime feito em seu corpo
Violação depravada de sua natureza virtuosa
O prazer de destruir em alta relativa com o preço do petróleo
Todos nós juntos compramos isso naturalmente

Mil vidas para sua morte meu velho mundo
A criação mais perfeita já feita
Olha que lugar bonito!
Bombardeado em prol da democracia pelos criminosos mais populares
USA & CIA

Quantas pessoas inocentes neste lugar!
Mais que vontade de matar e nas cinzas retornar
BOOOOOM...
Mais que luz linda
Olha a fumaça em forma de cogumelo!
Deforma a forma deste lugar que chamamos de lar

Mocinhos lindos da mamãe América
Lindos assassinos uniformizados em defesa do comércio mundial
Volta a tempestade programada pelos funcionários do capital
O sopro da vingança revoltando o discurso de uma nação…
Humana ou robotizada?

Viva humanidade!
Viva até morrer!
É este o programa de esgotamento do homem programado pelo próprio homem.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Corpo celeste



Para meu amor, Luiz Alberto...

Guardei um velho pingente. Metade Sol. Metade Lua. A esperança de dividir um eclipse feito de escuridão com alguém tão Eu em óculos 3D. Depois de 3 mil primaveras, veria cores jamais vistas em flores. Mergulhei em seus olhos sem perceber que você fazia o mesmo com os meus. O eclipse é a mais pura luz quando tudo em mim e tudo em você se beijam para ser um só corpo celeste. Você criou seu lar em mim e eu em você. E daquele velho pingente, dividimos o infinito.  

Vídeoclipe de hoje: Florence and Machine - Cosmic Love


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Fábula da modernidade



Estavam na cama. Dulce e Victor. Alguém que acredita em finais felizes, o outro bom contador de prosas. Poderia ter acontecido com qualquer uma. Só depois de passar o prazo de validade de 72 horas a ficha da protagonista cairia por terra.  “Eu te amo muito” é a tradução para “eu quero comer você, linda”. E só isso. A partir de então, a garota de 15 anos jamais recuperou a fé em qualquer palavra de amor.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sal, ventania e areias

Olhe a profundeza desse luar
O frio infiltra o sereno da pele e sal
As estrelas, deixamos no nosso quintal...

Olhe a profundeza desse luar
Tudo o que ouvi, esqueci com os pingos de ventania
O nada fica no resto do olhar que esvazia...

A primeira dose sempre é mais forte neste tipo de lugar
O Sol ainda me espera em ampulhetas, deserto e areias
Bebo toda a vida que flui nas minhas veias.


Vídeoclipe de hoje: Kansas - Dust in the wind


quinta-feira, 5 de maio de 2011

O fotógrafo que viu Deus


Aniversário. Mesa cheia de enfeites, doces, balões, Xuxa de música de fundo. Esperando o momento ideal: a criança vai assoprar as poucas velinhas do bolo de aniversário. Clique. Flash. Capturado a memória de anos de vida completados! O beijo dos antes noivos para concretizar o início de um final feliz de casamento. Outro clique. Outro flash. Tudo em um único dia.

Max não era seu nome, mas, assim, o fotógrafo amador se fazia reconhecido na praça. Considerado um religioso fervoroso pelos católicos e um pecador sem salvação pelos evangélicos, o rapaz seguia seus 22 anos em paz. E se felizes são os ignorantes porque é deles o reino dos céus, Max valia-se por 2 patinhos na lagoa votando no palhaço Tiririca.

Por sua devoção religiosa, o fiel foi chamado para uma proposta de trabalho pelo sarcástico Jeremias. Fotografar Deus.

- Olhe lá, não me venha com fotografias de Sol, senão, vou ter que acreditar que todas as estrelas são deuses... hahaha

- Tudo bem, seu Jeremias. Sei que o senhor é ateu, mas não precisa fazer piadinha. Toma, essa é a fotografia que o senhor quer. Veja que Deus nem sempre é fotogênico!

A imagem nada mais era que uma senil senhora pedindo esmolas. Jeremias não entendeu e continuou na sua fé. E Max também continuou na sua fé, sem entender como a face renegada do divino está o indescritível.




quarta-feira, 4 de maio de 2011

Biografia incompleta de um Pai absoluto


Aparecida de Goiânia, 18 de julho de 1995.
Terça-feira, 18:00 horas

A partir deste momento começo a registrar alguns fatos vividos por mim durante a trajetória marcada na senda de minha vida, desde o dia 14-05-1931, lá no norte de Minas, Montes Claros. Lugar das minhas maiores recordações de lutas, sacrifícios, dores e um pouco de alegrias, pois para a criança/adolescente nem sempre tudo é trevas, há momentos de satisfação e até mesmo de felicidades.

Em nosso arquivo mental existem muitas histórias e fatos ocorridos na vida real de um menino, adolescente, jovem, de um homem. Todos carregados de muitas lutas, sofrimentos e muitas vitórias também. Nem falo em derrotas, pois quando se nasce na pobreza quase absoluta, já se nasce derrotado pelo destino kármico. E a glória consiste em vencer esta adversidade de origem e plantar no topo da montanha o estandarte do ideal improgramado, mas que deu certo.


Imagem: Aleijadinho - Caminho para o Calvário



quarta-feira, 27 de abril de 2011

Medíocre vida real



Mais uma viagem ao exterior. Iria ver, dessa vez, o casamento da realeza inglesa. E para disfarçar a falta de nobreza, demonstrou a riqueza distinta de quem só pode ser mais um reles expectador.

domingo, 24 de abril de 2011

Bosque dos coelhos



Num belo dia de sábado
iluminado por tantas lâmpadas
e gelado pelo ar condicionado
Paro, olho, dou uma leve risada:

A páscoa virou “Bosque dos coelhos”
Espaço pago para aprisionar filhos!

E, no shopping, a perua espalhafatosa
Deixa a cria no cativeiro, a criança agora presa
Pintada à mão e com orelha de papel cor de rosa...
Vai entender o espírito mercantil da coisa!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Violeta



Ainda não se sabe o que vem antes de nascer, muito menos o posterior a tudo isso. O que restava: existir conforme as escolhas.

Alguém ligou meu corpo para esse ambiente hospitalar. Aqui estou. Aqui sou. Consciente até enquanto durar os estoques de oxigênio. Aceitar. E essas indagações existenciais que continuam. Ainda estou pulsando. Como sair desse niilismo? E esse ambiente está tão ligado ao meu corpo. Está material demais.

Desliguei. Parei com as compras de livros de autoajuda. Nem outro carro. Nem outro interesseiro. Compras de anestesia temporal. Parei. Matéria externa demais, externando um alguém que nada é.

Mente e sensações em degladiação. O completo combate sem anulações. O aqui e agora. O vazio é meu estado profundo de meditação. Sem o valor das posses. Vivi desconsiderando o final, mas respostas me vieram após o fim.

Violetas. Destino e criação para meu jardim. Cíclico. Momentos de fragilidade e beleza que não passam. A cor intensa. Ficou em mim. A forma, leveza e suavidade. O perfume.

Brincando com algum dom. Esta paciência de aceitar processos. Desabotoar para descansar. Desabotoar para desfrutar. Para desabrochar. Transmutando de novo, de novo... Brindando algum dom.

Por desejar a vida, o sentido não foi perdido. Sem explicação. Independente do paraíso e do inferno lá fora, a violeta quer ser ela mesma. Violeta.

sábado, 16 de abril de 2011

Meu happy birthday!


Irão falar: loucura
invadiu a sepultura!
Nasci a idade que fiz
Abril abriu feliz!

Luzes que não são Sol
A Lua chapisca flash
Vira, mexe e remexe
Sou simplesmente só

Só bolo você deu
Só fome no olhar meu
Para a vaca, nem doeu

Para o ego nada importa
Comendo coisa morta
O churrasco é só festa.



sábado, 9 de abril de 2011

m.a.s.s.a.c.r.e.



Você, não.
Você..., não.
Você, sim.
Morre.

Crianças
Crianças
Sentenças
de morte para
Crianças
Moças

Antes lá fora
Agora no Brasil
Alguém entende isso?
Alguém?

Um anjo esquizofrênico
Decadente pelo isolamento
Cybernético e real

Crenças ortodoxas
Pregadas com bala em cada
corpo e alma.

Ele pediu a salvação...

Se você fosse Deus
daria a ele 7 virgens
no paraíso?


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Fake de duas faces



Eu não sou fake. De duas faces, eu dou o meu verdadeiro pensamento. Dois corações. Duas mentes. Que não mentem o que as palavras sentem.

Eu vou falar o que achei: se o texto é ruim é porque ele foi assim para mim. Não é uma verdade universal. As unanimidades costumam ser burras. Principalmente das mais idiotas quando os que não tiveram um entendimento pessoal do texto fazem elogios para receberem uma visita bondosa do tipo “você me elogia que eu te elogio”.

Eu vou falar o que não achei: aí é indiferença. Ler um texto e nem comentá-lo por achá-lo indiferente à minha pessoa. E se eu achar um texto bom, fique feliz. Porque realmente eu achei bom. Mandarei música como lembrança para upar.

Lembre-se: o dia 1º de abril está chegando. Eu sou o fake de duas faces. Na comunidade orkutiana Bar do Escritor.


Videoclipe de hoje: Pitty - Máscara


terça-feira, 29 de março de 2011

Prove a dor




O amor dá que rima?
Não me prove a dor
de amar em cima de
Muro de puro rancor.

A solidão é para quem
Quer alguém e fazê-lo
Escravo e marmelo
Doce de neném.

Isso tá virando um soneto
Que atrevimento!
Eu que fiz trovinha

Não, idiota, poeta
Isso é na minha cara torta
Bobo deu corte na rainha.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Neta da noite


Não ouça, se quiser. Finja que isso é poesia, apenas loucura da mente humana. Não leia. Não fale. Finja. A minha história é mais ou menos assim:



Minha mãe, pouco sei dela. Eu era cega. Não a conheci com todas as cores que hoje a cura me permite. Meu pai, um estuprador, comeu aquela pobre luz, deixou-a no escuro. E eu não. Tive um avô sonetista que me ninava: Mamãe foi para a roça. Papai foi passear... Com 18 anos descobri a verdade sobre seus olhos maternais de Lua. Fases. Todas escondidas porque o Sol é apenas eclipse. Carrego sua estrela de Salomão no meu coração dourado. Meu avô foi AVE que tirou minha cruz. Planto rosas, mas as lembranças de EVA que não são minhas ainda me espinham... Deus, fé em Deus. Porque me vinguei. Vinho corre e escorre das veias do assassino de infâncias perdidas. Eu agradeço em paz de espírito pelo crime pago e apagado. Face feminina do Pai. Shechinah. Você contou todos os seus segredos agora. Que outro Jeová melhor lhe acompanhe. Voe e vá. Foi o que orei.

domingo, 20 de março de 2011

Sangue

Guardo segredos
Sobre mim
Nada a revelar

Sobre meus dedos
Nada assim
Sangue de açúcar

Gosto, entrelinhas
As agulhas, o amargo é triste
Minha dor nada alheia
Todo santo é dia

Célula-tronco embrionária
A cura, nada existe
Para manter a coexistência
Gosto, entre linhas e pontos...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Mente perigosa na cultura de massa


Suas falas e falhas
Que mente, minha filha!
Pega nas verdinhas folhas
O gozo ébrio, o brio empilha

Roubou minhas lembranças
Perdoo em tal semelhança
O xadrez e o cheque da esperança
Criança já deu descarga na sentença

Que bosta!
Queria ser gato de botas...
Devolvendo simples escritas
As fábulas serão idiotas?
Permanece a matemática em incógnitas...


Destaque do poema de hoje: Comercial Devassa com Sandy - Todo mundo tem seu lado Devassa!
http://www.youtube.com/watch?v=X0fqZALSEMU

segunda-feira, 7 de março de 2011

A importância da arte primitiva


A arte primitiva, para muitos no meio intelectualizado, se mostra importante, sobretudo, como produto da História. Um poema me mostrou além desses limites conceituais. No âmago das minhas sensações, onde eu morria de rir por escrever, percebi que os leitores também riram do que escrevi em versos. A minha sensação foi entendida e sentida, subjetivamente, por muitos leitores. Isso foi muito mágico, catártico, para não dizer, transcendental. É tanta coisa para poder fazer referência e inferência, tendo, portanto, que rever mais fortemente meus conceitos, não só no sociologicamente aplicado na sociedade; mas, também, na arte, aceitando, de fato, a diversidade das culturas, sem etnocentrismo e com criticidade.

Apreciar o primitivo é feito, ainda, nos nossos dias modernos/ pós-modernos/ contemporâneos: já vi muitas mulheres comprando brincos de penas coloridas; colares de sementes; adornos de ouro; jovens usando alargadores como os nativos brasileiros faziam/fazem; homens com cabelos grandes; raves; chás medicinais que os pajés já conheciam os efeitos terapêuticos...

Eu sou fascinada por Sociologia da Arte e tenho que citar o pensamento de Marx e Engels, mesmo que, claramente, como afirmam outros teóricos, isso fuja ao materialismo histórico:

“Um homem não se pode tornar de novo criança, a menos que se revele infantil. Mas não aprecia os modos despretensiosos da criança e não deverá esforçar-se por reproduzir a verdade delas num plano mais elevado? Porventura o caráter de cada época não é revivido perfeitamente em conformidade com a natureza na natureza da criança? Por que razão a infância social da humanidade, quando obteve o seu mais belo desenvolvimento, não exercerá um encantamento eterno como uma idade que jamais voltará? Há crianças mal criadas e crianças precoces. Muitas nações antigas pertencem a esta última classe. Os gregos eram crianças normais. O atrativo que a sua arte apresenta para nós não conflita com o caráter primitivo da ordem social de que brotara. É antes o produto desta e devido ao fato de que as condições sociais imaturas sob as quais a arte surgiu e sob as únicas em que poderia aparecer nunca se poderiam repetir” (Marx; Engels, 1986, p. 54; apud, Viana, 2007, p. 21).

Portanto, a arte primitiva, na vida adulta, deve surgir como material artístico, pois, só assim, a infância será compreendida como um plano mais elevado na visão da produção do capital cultural, social e econômico. Ou seja, para uma sociedade em que as normas e os valores circulam o objetivo capitalista, o infantil é lucrativo enquanto Arte.


Referência:

VIANA, Nildo. A Esfera Artística: Marx, Weber, Bordieu e a Sociologia da Arte. Zouk, Porto Porto Alegre, 2007.

sábado, 5 de março de 2011

Gênio da risada excêntrica


hauhaauhauahauhauhau
hehehe
hauahuhauhauhauahuah
rsrsrs
hauhauhauhauahauhaua
hihihi
MuhahaMuhahaMuhaha

Para, porra!
Isso é sem graça!

kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
k!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Tio Silvano's song


Deus é amor
Deus é amor
Sem para mim
Cem para o senhor.
Oh, Senhor!
Nem todo pastor
quer o bem.
Edir, ah, nem!
Vai cedo.
Amém!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Corpo presente


Por Luiz Alberto e Marielle Sant'Ana

Minutos, instantes e momentos. Querendo estar no teu coração, pois, assim, posso estar sempre contigo. Um único ser, um único corpo, todo em sentimento, coração envaidecido, carregado de amor. Minutos e instantes querendo estar em tua companhia, sempre procurando e nem sempre achando, sempre com a certeza de estar contigo, estando em teu coração.

Ao longe, não estaria em corpo presente, mas, sim, em amor e alma, presença vibrante, apanhada na coexistência, do querer estar e não poder. Direito exclusivo do querer e desejar, do estar e não estar, do que fica gravado em nosso livro de histórias, guardado em nosso coração. Pois quero estar em teu peito com pulsar, com calor e carinho, sempre guardado.

O que está dentro de ti, transmutar para, a partir do particular, partilhar. Teu, agora, meu também.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Meu Brother Jesus


Para Gregório de Matos

Maiara dizia com total convicção: "Jesus é meu Brother". Explicava que Ele abnegou, humildemente, o que tinha de mais precioso para salvar a todos. Se alguns dizem que é a Madonna, sabia desconfiar: papo de fã.

Ele, mentalmente perguntou para ela: “Se Eu estivesse em seu lugar você faria o mesmo por Mim?”

Ela, diante da eminente Verdade, chorou que nem Madalena. Quebrou correntes e mandou este e-mail para todo mundo.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Devaneio de um ilusionista


Instigado com a questão
Recubro o mundo com metáfora
E a Lua continua nua lá fora
Antítese agasalha meu coração
Em síntese, sou a tese em
[contradição.]

Sinto esta metade
Você sente outro meio
Que loucura seria lhe dar algum
[sentido!]
Sou um homem perdido
Procurando a humanidade
No seu devaneio.



Poema suspirado pelo Gutemberg... rs

Chegamos nos tempos dos suicídios em massa!


É inacreditável
o poder do homem
de destruir o mundo
Ele é um Eu Louco, É...
Piração total
Se eu, tu, ele, ela, nós, vós e eles
ousar
tentar
destruir o mundo (de novo)
Posso dar murro em ponta de faca e em muro
Defenderei o que amo!
Com unhas e dentes!
Kame-ha-me-há!

sábado, 29 de janeiro de 2011

3 poemetos no 4º



Memória inconsciente

Sonhei
Por que lembrei
logo no sonho
que você não está

Vivo?


Toma dor!

O poeta
Domador
Doma a dor
Também
Ele tem por
Dom a dor
Escrita
Sentido!
Ditador.


Seu vazio é meu

A minha língua bebeu
Vácuo do céu
E preencheu seu
Espaço molhado, breu

Vazio mel
Vazio meu.



Imagem: O quarto - Vincent van Gogh

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Tesouro nunca achado, mas também nunca perdido

No geral, as pessoas lhe eram más sem motivo. Não era bela, nem feia, normal. E a normalidade causava mal-estar a muitos, uma espécie de ressaca. Dava para ver em seus olhos. Ser assim é difícil, gera inveja aos estranhos, porque o objetivo que se esconde é a aceitação social. A aceitação pessoal própria de gostar daquele jeito de sorrir quando alguém parecia suficientemente idiota em comparação com a maioria, pérola rara para adornar o seu brilhantismo. Poucas conchas contêm esse tesouro. E assim, Ester interiorizava o mundo ao seu redor.

No lar, os pais lhe passavam transparentes. Altos e baixos, como os movimentos da maré, o jeito humano de se viver a vida. Esse movimento a filha não aceitava ter que conviver e refletir. Queria a praia, o mar, o Sol sempre ligado, as ondas sempre prontas para o banho, o sal no peixe frito, mas não no cabelo oleoso, o vento de leve para soprar a pele, água de coco num estalar de dedos, às vezes, bijuterias de ambulante.

No colégio, poucos mereciam sua amizade. Perder tempo com gente que não iria lhe ser útil depois, desnecessário. Porém, havia uma determinada concessão para que seu coração ficasse mais receptivo a aceitar todos: redes sociais virtuais. Oportunidade, caindo na rede, mais peixe para se juntar ao cardume de amigos.

No banco da calçada, sentada. Oceano a sua frente, vasto e profundo. Ester estava enjoada de ficar parada tanto tempo tendo essa visão de mar. Nenhum pirata veio roubar sua joia. O seu corpo abarcava fantasmas. A pérola que ela tanto se vangloriava para si mesma não vinha de nenhuma partícula impura. Ela era somente concha.


Imagem: Cena do filme "A Lenda do Tesouro Perdido 2"

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

S.O.S.: Senhor Observando Solidão



“Aqui me despeço e tenho por plenamente ensinado o teu ofício,
que de ti mesmo e em púrpura o aprendeste ao nascer.”
Carlos Drummond de Andrade


Sem claustrofobia criativa, os dois pintores foram ver o dia dourado, azul e quente lá fora. Larissa preenchia o céu. Faltava um terço para terminá-lo. Com um pouco de fé, acabaria com ele, o fundo implantado por sua angélica árvore de tinta acrílica. O quadro branco de Michael ficou pronto em 4 segundos.

– Ei, seu louco! Você acabou com a minha blusa! Eu mereço amigos pirados mesmo...

– Uh, Lalá! Você se tornou minha obra-prima! Tenho que admitir que nunca antes na história eu havia pincelado de forma tão precisa, determinada e vermelha em único movimento! Adoro!

– Não me diiiga? Sério Mike? Você me chamar de Lalá desde a vitória do Lula na presidência, tudo bem. Acredito que este apelido se tornou uma espécie de mantra artístico positivo para mim. Mas não justifica você pintar de vermelho minha blusa branca de laise rendada! Eu gastei horrores com ela!!!

– Tsc, tsc... Estressadinha! Eu fiz um bem para você. Acorda para a vida, flor! Está faltando isso em sua arte!

– Isso o quê?

– Está faltando vida, Lalá! Você jura que sugar a vida de uma árvore e colocar na tela limpa e seca com esse azul turquesa pavoroso de fundo tá fazendo arte de verdade? Se for para retratar a realidade plasticamente assim, seja transparente consigo mesma, e aprenda a bater uma fotografia!

– Mike, Mike... Sempre querendo dar uma de modernete. Essa sua tendência conceitual é ridícula! Até meu sobrinho de 3 anos supera você!

– Duvido que ele não esteja ainda compreendendo cognitivamente o vasto mundo ao redor dele. O que fiz em sua roupa foi me expressar. Doar simbolicamente meu sangue na extensão do seu corpo. Pare de idealizar o céu, Lalá, pois ele é ilusioramente azul. As noites por si só comprovam isso.

Michael observava a visita amiga. Não sabia decifrar suas expressões, porém tinha impressão da profunda tristeza esboçada no rosto dela.

– Enquanto me limitava em não misturar o vermelho com o azul, Lalá, eu nunca pude enxergar a intensidade da cor púrpura. Eu suponho que você não está entendendo o que eu quis dizer tanto quanto não entendo do porquê do meu ego doentio até hoje não doar literalmente meu sangue para salvar alguma vida.

– A gente se preocupa demais com os nossos próprios problemas, Mike. Eu gostaria de não tê-los, pois estão em um nível insuportável. Minha saúde não é plena, sinto dores que nem a minha alma sabe explicar em gravuras. Sinto-me muito sozinha.

– Se isso dependesse só de mim... Já me conformei que meu corpo é imperfeito e se deteriora a cada dia que passa. Marilyn Monroe, apesar da beleza, o que ela é hoje no Westwood Memorial Park? Restos mortais todos nós viraremos por mais artistas que sejamos.

– Você me ajuda muito pouco, Mike. Cada palavra sua me deixa mais desesperada. A sua companhia não me preenche. É sempre ausência! Que droga!

– Lalá, estou me esforçando ao máximo doar minhas energias para você melhorar. E a minha bateria ainda está no up! Porém, para a minha companhia ser digna, você tem que salvar a si mesma da solidão. O príncipe de sangue azul não vai vir lhe resgatar nessas horas. Se você leu isso na Branca de Neve, Bela Adormecida e afins, esqueça! Saia das ilusões e se joga pintosa! Vermelho com branco dá rosa, combinação mais tudo! E ainda combina com lilás...

– Ai, eu não nasci com sorte no amor, só pode ser isso. As comédias românticas são tragédias na minha real life.

– Gata, seja homem e mulher para você mesma! Não seja a donzela indefesa, pegue logo a espada e duele contra sua própria dor! Força na piruca e arrase! Tudo o que sentimos é criação.

– Mike, realmente eu não entendi nada. Vou terminar minha tela, já que a sua ficou instantaneamente pronta.

A cada matiz de azul, a idealização ficava mais forte e o sonho da mortal mais próximo da imortalidade e, ao mesmo tempo, distante da vida. A obra de Michael virou uma mancha sem sentido descartada para a caridade. Alguém agradecia solitariamente à Deus pela divina doação recebida.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Por trás das franjas lisas e pretas


Naquela época, a tribo franja no olho apareceu. Os cabelos lisos e pretos nem que fosse a base de química, ferro quente e outras atrocidades capilares. Mulher e homem confundiam-se em número, grau e, principalmente, em gênero. Ambiguidade, androginia, bissexualidade, homossexualidade, parecia moda da estação. Beijos entre miguxas para demonstrar o carinho sentido uma pelas outras. Os miguxos também logicamente. Trocas de afeto travestidas, às vezes, por aceitação grupal. Com peças de outras tribos, montavam seu próprio avatar, mescla de gótico, All Star, patricinha, listras de marinheiro e meigas caveiras. Nada de novo, crianças gostam também de impressionar os pais, quem sabe ter atenção deles, quando a fase infantil não foi superada pelo descaso dos seus genitores. Converteram as horas reservadas para o abraço em dinheiro para seus filhos.

Por que a tristeza depressiva nesses corações feitos de simbologias como esta: S2? Borrar o lápis nos olhos é sensibilidade. Cara, não dá para ver a minha dor na superfície da cara? E todas as tribos dispersas, nesse momento propício, uniram-se para acabar com o core dos emos. Chamar uns caras de viadinhos ou vergonha do rock é algo bem cool, sociável e aceitável pelo meio, até o punk, considerado pelos conservadores undergrounds como uma escória musical, pode ter seu dia de Queen rebaixando um ser que no máximo vai chorar passivamente pela violência a qual não sabe se defender. É bom para um ego que precisa se autoafirmar, já que a sociedade como um todo renega um som que é taxado como satânico, fora a periculosidade das drogas e sexo livre. É pauleira mesmo. O preconceito coletivo e inconsciente.

Nesses dias de perigo, encontrava-se a nipo-descendente Elena. Gostava das suas raízes culturais hibridadas por quase um século com a brasileira e conectada com os processos de globalização e consumo. O espírito ávido por novidade a fazia se encantar com o mundo em cada silêncio explorado.

Um sonho estranho sempre cutucava seu cérebro. Odiava as músicas românticas por serem distantes do seu sentir, a inalcançável perfeição não idealizada em suas pretensões pessoais. Um som tranquilo, suave e relaxante lhe dava o sono da bela entediada. Sua angústia traduzida em nenhum idioma. O que ela desejava, mas não se materializava logo? Foi então que Gerard Way entrou em cena.


Assistindo a MTV na casa de sua avó, ela viu e ouviu o que há tanto tempo vinha sonhando. Será que esse vocalista é do Good Charlotte? A coincidência parou no cabelo preto e liso. A sonoridade com progressividade elétrica e fluída, o vocal relativamente limpo, sem gritarias agudas ou graves, cheio de emoção e expressividade do espírito que se rasga em verdade e sofrimento atraiu, irremediavelmente, a telespectadora. Algumas lágrimas saíram do controle.


Helena, essa foi a primeira música que conheceu da banda My Chemical Romance. E antes de traduzir todas as letras do inglês para o português, se reconheceu na descrença das pílulas milagrosas do catolicismo para continuar vivendo e convivendo harmonicamente com as uniões materialísticas de Barbies e Kens. Gostou da crítica social feita a um sistema pouco sensível em valorizar o indivíduo quanto humano, a não ser que esse pague por isso. Das memórias inesquecíveis e para sempre lembradas até o fim ser incinerado. Restando os fantasmas do passado registrados em fotografias. Sem medo de chegar até o fundo do precipício se preciso fosse para buscar o Eu em si.


Assumir que gostava dessa banda, tarefa nada fácil. Os rótulos carimbavam o rosto do primeiro que se autodeclarasse fã de My Chemical. Emo! Emo! Ah, você é mulher... Ema! Ema! O que é ser emotional, Elena perguntava para Jean que a taxava assim, sem mais nem menos.

– Você saca, emo é aquele que tem cabelo preto e liso, franja na cara, gosta de My Chemical. Você é emo, tá vendo?

– Eu estou vendo que você é um tapado que mal sabe do que está falando. Acha que o mundo é feito de estereótipos, então, vamos lá! E esse brinquinho, você é gay por acaso?

Elena riu da sátira irônica que falou aceita pelo seu colega de classe como uma verdade aparente para ser desmentida. Ele que a todo custo queria chamar atenção das garotas para sua virilidade heterossexual demonstrada no alargador de orelha. O resultado é secundário.

– Para com isso, eu sou muito macho! Tanto que convido você para tomar umas cervas no bar ali da esquina depois que acabar a aula por minha conta. Você é uma garota bonita, gosto dos seus olhos puxadinhos. Sabe que eu tava de zuação naquela hora, vamos?

– Obrigada pelo convite, mas não preciso do seu dinheiro para você se sentir um homem, ainda ouvir sertanejo em boteco, tendo que aceitar suas drogas lícitas e massivas. Para você me beijar depois somente? Estou seletiva o suficiente com meus 16 anos. Aceite isso como um fora!


A garota olhava para si, uma falta de esperança desesperadora. Estava sozinha com suas introspecções. A superficialidade das pessoas não a acolhia. Sua vontade de caminhar o mundo com as próprias pernas podada pela violência exposta constantemente na televisão. O remédio para suportar o peso do vazio era compartilhar, de ouvido, a dor interpretada por Way.


4 anos se passaram até o lançamento do último álbum. Durante este tempo, a fã adquiriu muito mais do que uma coleção fonográfica completa para furtiva demonstração de poder aquisitivo não-pirateado. Ela descobriu a luz de suas perguntas encarada nos olhos das verdades universais. Enxugou as lágrimas provocadas pela falsidade humana. A idade de sua face pouco lhe importava. A idiotice dos adolescentes visível dos 8 aos 80 anos. A vida com prazo de validade, o palco preparado para as diversões existenciais. Escrever é preciso, viver não é preciso.

A gravidade terrestre não significava tanto. O conflito subjetivo superado. Os valores de antes permaneciam em transformação. O coração à prova de balas para buscar os sentidos humanos imperecíveis diante da nova geração nada, os vícios da compulsiva sociedade de consumo e a massa acrítica escrava das sensações da mídia. Proteção com armas em punho, porque o amor conclamado em letras legíveis está sem ação no papel. A internet tampouco virtualizou virtuosa e veloz a compreensão entre os humanos globalizados. Elena deixou para trás a criança de ontem. Que bom ouvir que não estava sozinha nessa empreitada. E continuou a traçar seu caminho.