terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Eu Nirvana

A debutante recusou a festa de 15 anos. "Não serei eu a mulher a ser ofertada para essa alta sociedade hipócrita, competidores da derrota de quem tem mais do mesmo, que se mata e deixa-se morrer por míseros trocados. Eu serei muito mais que isso, seus vermes." - ela pensou.

O pai ficou triste, a mãe frustrada. "Minha filhota é muito rebelde, não basta seu cabelo preto de índia, mas desvirginado com vermelho nas pontas, tem que ainda rasgar o protocolo de se iniciar como mulher da sociedade. Foi a única a recusar o papel de columba, algo do mais alto prestígio na Ordem para que uma moça mantenha acesa a Chama Sagrada em nossos rituais, simbolizando a consciência divina. Logo eu, reconhecido socialmente, sacerdote, gavião-de-penacho, estou sem chão..." - pensou o pai. "Não terei mais foto nas colunas sociais do jornal local" - pensou a mãe.

A adolescente se superou. Publicou, aos 15, seu segundo livro de poemas, "Muito Mais...", com até prefácio de doutora em Literatura e professora universitária - sua tia de coração. rs "(...) Muito mais" (seguido de reticências) é um título apropriado para quem apenas começou a viver e a experimentar o encantamento da descoberta da poesia. E a epígrafe desse pequeno livro nos revela o significado das reticências: ao adestramento e formatação do quadrado (aludindo à solidez das estruturas sociais caducas), Mari prefere a existência individual e fragmentária do ponto, mais compatível com a natureza humana. E é dessa perspectiva que pretende construir-se como ser entre outros seres. (...)"

Isso repercutiu em alguns impressos locais. E, com a vinda do prefeito no lançamento, a Ordem nunca mais foi a mesma. Regularizou a situação espacial com a prefeitura, mas desde que cedesse parte do terreno para a comunidade. Um terço do terreno virou um parque de ginástica comunitário e, ao redor da praça com o templo Mãos Postas com seus cercos e muros, ganhou pista de cooper.

"Se é para me tornar um quadrado,
Sou mais ser infinitos pontinhos..."


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Verdade Curiosa

- Olá! Sou a menina curiosa. rs
- Olá! Agora estou curiosa do por que você quer isso... Por quê? rs
- Olá. Tudo bem?? Então, eu sempre li, vi relatos sobre experiências, expansão da consciência e tal e tive vontade de saber, entender mais, conseguir fazer... Também curto experiências psicodélicas com cogumelos, lsd... (não sei se vc gosta ou conhece). Mas não sei como fazer, o que pensar sei lá... Entende?
- Entendo. Bom, a experiência espiritual que tenho é sem interferência artificial; já dilatei uma vez para saber o nível de influência em terceiros. E dois conhecidos, inclusive eu, ficamos 2 dias sem dormir, sem ninguém usar ou fumar nada. No máximo beber um modesto copo de caipirinha cada um de nós. O jovem disse que o que eu proporcionei a ele foi "mais tenso e intenso" que todas as experiências que ele já teve com LSD. E que não era para eu fazer isso novamente... rsrs Agora, sabendo dessa minha introdução, vamos à sua questão.

A experiência de expansão da consciência, como próprio nome já diz, vem de sua própria consciência. E você tem que navegar o máximo possível nas suas próprias emoções, pensamentos, sensações, sensibilidades para isso, seja isso "good" ou "bad". Por isso, perguntei o que estava sentindo, começa por aí. E tem que ser uma busca sincera, não por mero divertimento, por prazer.

Muitos param a investigação porque sabem que o mundo espiritual não é só paraíso. E, sim, se sua frequência estiver baixa, é bem possível acessar os piores submundos.

Por isso, muitos daqueles no grupo relatam que não ultrapassam a barreira ou fronteira entre os planos, porque não sabem o que pode vir... Eu ultrapassei porque sempre tive o desejo profundo de conhecer, sentir e integrar à presença de Deus, e isso começou aos 7 anos, que foi quando adquiri diabetes e pedia a Deus para me curar. Acabei despertando chacras. rs Eu entrei nisso por desejo da minha essência.

Sabe aquela parada de terceiro olho? Tenho este centro e outros despertos por todo meu corpo físico, inclusive, o coronário, o que faz eu, naturalmente, vibrar violeta, agir em prol da transformação, transmutação espiritual. Atualmente, acesso uma oitava e nona nota também, que vai para além do “si”, vai para além das 7 notas musicais físicas!

Que divertido a nona: agora entendo onde ficam as auréolas, bem na parte dos cortes dos antigos monges franciscanos, e é tudo tão dourado e quentinho! As pessoas ficam até doce perto da gente. rsrs Aí, a oitava é algo mais gélido, é como se reagisse a coisas ruins queimando feito nitrogênio ao grau mais baixo possível. E testando isso durante uma caminhada, quando alguns homens me olhavam com intenções maliciosas, ao encará-los pareciam reagir com medo, como se gelasse a espinha.

Aí, cheguei em casa e quando olhei para o céu da 1 da tarde, um céu azul e límpido, que lindo! Tinha faísquinhas cintilantes brilhando lá fora! Olhei várias vezes e repetia. Era muito fofinho. E depois, do nada, ai, tô arrepiando as pernas só de contar, nossa, outra novidade: do nada veio um clarão foda do meu quarto, já tava claro, 1 hora da tarde, veio um clarão dourado de dentro do meu quarto com a janela aberta, meu quarto ficou mais iluminado que lá fora, foi tipo um barulhão do nada, com esse clarão e lá fora ficou uns 10 segundos mais escuro que meu quarto. Foi muito espantoso!

Assim, ao entrar muito em mim é que ultrapassei a barreira do EGO para encontrar o EU. Desap-ego de sua imagem é necessário para adentrar ao que é verdadeiramente real.

Quando você chegar ao nível do despertar do EU, você encontrará outros EUS, e aí, você perceberá que o tempo todo somos NÓS, ou como eu já escrevi em um poema, "Somos D'EUS na multidão".

P.S.: Anem, a guria desapareceu! Tá, que assim seja... rs



segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Mais alho e cebola no bife, por favor


Quem renega o Pai, por Ele será renegado. E, antes de nascer, a má criação originária de um pecado entre um copulador desprezível com uma interesseira apaixonada depois de todas as desculpas esfarrapadas regadas à bebida para gratuidades perigosas que não são de graça. Prazer, mundo, sou eu!

É engraçado perceber que fui adotada logo por um sacerdote de alguma dessas antigas ordens em curso desde antes o cristianismo. Literalmente. O que será que ele interpretou no código inscrito em minha existência? Por que, ao contrário dos filhos sanguíneos mais velhos registrados, eu fui reconhecida mais que legítima, a filha amada? E por que carrego mais sobrenomes dele que meu irmão mais novo? Se ele entende de numerologia, ele sabe muito bem o que re-programou... Mas foi para isto mesmo que nasci: grazie mille, Papa!

Enquanto, do outro lado da família, um irmão é apresentador de TV e tornou-se o bispo mais jovem de sua congregação e outro estuda para ser pastor, eu, entre séculos depois de Cristo, apenas quero reescrever esta história demasiada inumana. O que se poderia esperar na Era de Aquário?

Aos 7 anos, a manifestação falha de uma das letras na linha genética, uma herança paterna que deixou meu sangue doce e só eu herdei de todos os netos de uma mulher que nem sei o nome. Acho que é Maria também. Aos 17, a revelação de que existe mais um Pai para mim para, assim, acontecer o choque entre dois polos e alterar toda minha noção psíquica e emocional de realidade, Big Bang. O mais profundo azul dilacerado por um vermelho infernal, a coroação deste violento violeta tão aclamado por espíritas de todas as espécies, tempos e espaços. Aos 27, não a cura, mas a declaração da não existência de enfermidade. Milagre?

Agora compreendo porque, perto dos 30, debutantes creem que ainda sou mais nova que elas. Ou porque no espelho só eu sei enxergar meu verdadeiro reflexo, imagem que parece ser uma distorção perfeita e natural aos olhos de quem vive de photoshop, plásticas e pinturas no rosto. Tava na cara que, uma hora ou outra, a verdade seria desmascarada. E, por isso, meus olhos mudam de cor em profunda escuridão... Já tinha sido alertada pelo mais cruel monstro sobre este aspecto... O gosto pela água em vinho... E todo esse sangue nas mãos...

Os mesmos jogos viciados de sempre, troca de interesses desinteressantes, parecer o que não é, arte pela arte, aparecer por aparecer, títulos sem nobreza, inflações e estouros de ego, vaidades supérfluas, sinceras traições, teatro de bons modos, flores artificiais, boa forma sem conteúdo, networking de contatos superficiais, drinks para esvaziar ainda mais o vazio, ter mais para menos ser, o paraíso prometido para os bons perversos arrependidos, amor sem amor, felicidade comprada. Dessa eternidade deformada, atingida por 3 balas de prata em meu coração, com água benta jogada em minha cama, fora a constante ostentação de crucifixos por inquisidores, continuo por aqui, com fervorosa fé, esperando por aquele que será capaz de me fazer companhia para ver o nascer do Sol pela primeira vez...

sábado, 2 de dezembro de 2017

Semiótica p(r)o(f)ética

Gosto de você. Como te disso uma vez, num começo de inverno no Hemisfério Sul, num tempo em que se espera o frio, mas o Sol é ainda mais forte porque é apenas um inverno para facilitar os cálculos climatológicos, um gostar que transborda o de simples amizade. Ao nível de amor, meu gostar nunca chegou a este limiar. Você foi forte e corajoso de suportar minhas cores que não existem, normalmente, neste mundo, já que as invento em outro plano pouco acessível a seres tão ligados ao material. E pelas suas mãos, minha roupa continuou em branco. E agora compreendo toda minha timidez original, um pecado para todos que me amam. Como um anjo num inferninho, eu apenas não desejava a tentação encarnada, docemente, em você. E se minha real natureza se expressasse com mais força, aquela que feito gelo corta o fogo de qualquer espécie e gênero, seríamos como azeite e água. Por isso, o silêncio oculto dos corpos, ruidosamente, se manteve em minha casa. Você não atraia minha queda, por isso, a falta de paixão. Mas traí a mim mesma quando deixei ser beijada por você, com uma definição de sabor que você sabe explicar melhor que eu. A chama violeta em mim apareceu, o sinal cármico para o chamado, novamente, de uma missão, o de transformar água em vinho para a missa. Mas de novo, não tem nem um mês, por que outro rapaz de mesmos olhos verdes? Até confundiu a besta da minha amiga... Odeio sincronicidades, mas se o sino toca de novo e de novo é para chamar a atenção de que, logo mais, começa a revelação. Você degustou as “33 metáforas abertas simultaneamente” que lhe profetizei? Ou ainda nada faz sentido? Terminamos o que não começamos. Começamos o que não terminamos. Enquanto não acharmos merecedores do paraíso, estaremos assim como estamos. Aceite, não temos salvação. Céus, esta que é a graça.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

ANTES

– Eu não sou fã de cinema... Não consigo compreender o povo pagar um puta valor para ver o filme e ficar se pegando lá dentro. kkkkkkkkkkkkk
– Tem arte para tudo quanto é gosto, inclusive, para assistir show sozinho de banda de blues. rs
– Quer se pegar, vai pro motel... kkkk Objetividade! Kkkkk Foco, força e fé! Se eu falar assim: "Mari, vamos num barzinho bater um papo e ver o que vira..." Já sabe: estou sendo objetivo.
– Nossa, falta poesia nisso... Eu sou muito subjetiva. Acho que dá para ler isso, literalmente, em mim.
– A poesia a gente gasta ao vivo!
– Cada um tem seu jeito de funcionar para tais objetividades... heheh
– Eu acho que se as pessoas fossem 50 centavos mais objetivas, o mundo seria melhor e a gente perderia menos tempo! Como eu disse, se as pessoas definissem o que é jogo e o que é treino, todo mundo ficava de boa... kkkkkkkk
– O que você fala perder tempo, eu falo conhecer o universo do ser humano com quem estou conversando... Assim, quanto mais secão na objetividade, proporcionalmente, mais secão vai ser meus foras. E, quanto a isso, posso molhar suas percepções com algumas memórias, né!? Bom, conhecer para depois envolver.
– Pois é... Vc não precisa conhecer para envolver... O que torna sua busca pelo universo humano uma coisa meio sem sentido! kkk Filosoficamente, não faz sentido! kkkk
– Eu sei o que sinto. Descobri que sempre tem que ter lance afetivo para depois, bem depois, acontecer algo. Fora os traços no meu corpo da época em que fiquei internada na clínica de repouso, me faz ser, exageradamente, prevenida... Fechada demais para envolvimentos íntimos.
– Mas vc já se deu ao menos o direito de tentar algo, assim, objetivo, carnal!?
– Sim. Odeio. kkkkkkk Sinto-me vazia. Triste. Usada. Só dá bad. rs
– O problema é que vc refletiu sobre o que aconteceu na visão sentimental... A coisa tem que ser mais biológica para funcionar... Senão, vai dar ruim mesmo. kkkk
– Mas eu te falei o tempo todo que sou subjetiva! Tá entendendo que isso não é gratuito? rs
– Sim, entendi sua subjetividade... Mas não sei se já viu Star Trek, mas é um bom exemplo. kkkk Os vulcanos são extremamente racionais, mas no fim das contas, eles acabam não saindo de sua zona de conforto para viver outras coisas! Qualquer dilema que envolva sentimento, eles bugam (no seu caso é o contrário). kkkk
– Isso! Por isso, quando mais sem sentimento a pessoa vir, mais sem sentimento eu sou na tirada... Essa é minha lógica racional! kkkkkkkkkkkk Mas se a pessoa é fofinha comigo, mais me entrego de corpo e alma. ^^

... DEPOIS

– É difícil eu me envolver por inteiro com alguém que não sabe ser por inteiro para dividir-se com pombos, para atrair bicadas, desejos, ao lançar migalhas para suprir, sem qualidade, a vontade de ser visto enquanto alimento e, consequentemente, ser alimentado. Afinal, ninguém quer churrasco da carne branca de pombos. Isto é, dependendo da dieta... rs
– Vc busca plenitude em relações! Infelizmente, nada é 100% nesse mundo. Se for se entregar à algo, tem der ser por você e para você! Não pense que outra pessoa fará o mesmo...
– Por já ter tido a plenitude uma vez na vida, não vou querer menos que isso. Logo, já estarei 1 ano solteira em dezembro. Ops, já estamos em dezembro! XD
– Vc pode achar que teve plenitude... Ninguém se entrega por inteiro, vai indo de pedaços! Ninguém. Bom, isso são percepções... Eu não acredito que estamos preparados espiritualmente para esse nível de entrega... No máximo, achamos que chegamos lá!
– Já tive uma vez. Não vou descer meu padrão. E, sim, a entrega foi se construindo aos poucos, pedaço por pedaço até estarmos por inteiro juntos. Mas não tem como manter a plenitude se uma das partes, depois, não se sentir pleno consigo mesmo... Ele não aguentou o peso da leveza que eu tenho comigo mesma e se angustiava mais ainda por começar a perder a habilidade de voar com as próprias asas... Bom, para um ex que nasceu de mãe virgem, qualquer coisa sobrenatural pode acontecer. Não duvide de nada. kkkkkkkkkkk
– Plenitude é individual... Como eu disse, nada é 100%. Eu sou bem realista com as coisas. Desculpe. kkk Sou tipo São Tomé!
– Eu também sou tipo São Tomé. Demorei 25 anos na vida para descobrir o que é amor, o que é namorar com amor. Só com o quinto namorado descobri isso. Os outros foram treinos. A verdade é que sempre achei que iria viver treinos a vida inteira por justamente não acreditar no amor.
– Será que era/é amor?
– Sim. Sei porque senti. rs
– Será que vc criou uma expectativa de que uma pessoa será igual à outra para preencher um padrão? O que nunca vai ser!
– Eu não crio essa expectativa. Eu quero amar o ser, não a imagem de desejo sobre o ser que desconheço.
– Quando diz que não aceita menos que aquilo que já sentiu, vc acabou de criar um padrão! Não é o padrão de pessoa somente, é padrão de sentimento! E se tem uma coisa que varia são pessoas e sentimentos. Pessoas amam de formas diferentes, em intensidades diferentes. Enfim, ainda acho que vc padronizou o amor que busca. Vai ser difícil...
– Ok. Você gostaria de um amor de uma psicopata?
– Pq fala em psicopatia? Vc mata pessoas? ahiauhiauh
– Não mato. E é justamente este o ponto: ninguém, racionalmente falando, quer ter esse tipo de pessoa para ser amado. A questão que estou falando é que amamos alguém também pela qualidade do amor que a pessoa pode nos oferecer e, em contrapartida, a gente aceitar. Vai ter caso de homem que vai me amar, sei lá, desde a infância. E vou recusar o amor ofertado, mesmo sabendo que é verdadeiro o sentimento ou o maior que ela possa ter, porque aquele amor, daquele sujeito, não me serve para correspondê-lo, amá-lo. E eu sei muito bem o que quero. Posso não saber o padrão de amor que surgirá num relacionamento, visto que é uma construção/manutenção contínua de ambas as partes; mas, se for para estar em um relacionamento, que o seja no padrão que me possibilite amar e ser amada. Essa é minha definição de plenitude e não vou querer menos que isso. ^^

Moral da história: E ao ver que o impossível é possível, o objetivo desistiu da subjetiva. Estava para além de suas possibilidades.

E já que não tenho compromisso nenhum com a Literatura, apenas sou fiel ao meu papel de fazer arte, rsrs, vou deixar, como créditos finais, uma linda musiquinha! Que esse poema torto, tecido em diálogos com linhas e entrelinhas, possa ser inspirador para você, leitor/a, escrever uma linda história sem palavras.



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