quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Janela aberta




Estavam ainda frescas as tintas na parede do universo. Foi, naquele instante, que nasceu uma estrela de brilho milenar. Aquecendo mundos frios e distantes, esquecendo o próprio medo do escuro. Queimou-se até o último suspiro. Ficou, naquele espaço, uma grande massa branca de ausência escrita. Abriu-se, assim, uma janela para outro plano. 


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Janela aberta (2ª versão)

Na parede do universo ainda estava fresca a tinta. Nasceu, naquele instante, milênios de anos-luz: Sol. Aquecendo muitos mundos frios, solitários, distantes. Esquecendo o transparente medo escuro do medo. Queimou-se o último suspiro. Abriu-se a janela para o outro. Ficaram naquele espaço: na parede se une verso.
  

terça-feira, 13 de outubro de 2015

22




Amar não vai ser garantia de nada.
(Mesmo assim)
Assine seu contrato na alta madrugada.
Preencha seu ser na lacuna deixada.
S2
E na linha pontilhada...

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Vitória




- Se não for a face dela,
o amor pouco me importa.
Mas sem a voz daquela,
a paixão também não adianta.

Rapaz, como você está perdido.
Dividido...

Entre Sol e Lua,
entre corpo e alma,
entre você e eu
há uma porta
esperando ser aberta.

Quem vai bater primeiro:
o paciente amor
ou a quente paixão?
Ou ambos?

Movendo os dedos
neste xadrez estranho,
o adversário move as peças
sem mostrar as mãos.

Por que estamos fazendo isso?
Eu odeio perder,
odeio desistir sem tentar.
Mas você me subestima em cada jogada...

O jogo está em andamento.
Você ficou sozinho.
- Com licença, tenho que sair.
A Vitória é sua. Parabéns.

E você me perdeu.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Batidas ao chão



Debatendo-se. 
Rebatendo-se. 
Rebentando-se. 
Arrebentando-se. 
De encontro ao chão, 
ouvia-se um coração. 
Tudo devido a um choque de vida...

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Ao poeta, uma resposta sem pergunta

Se o mais profundo for mesmo a pele, faça-me sentir o toque do seu amor... 


sábado, 21 de março de 2015

Uma carta para mim mesma 10 anos atrás


Oie, Mari! Otimista como sempre? 
Daqui um mês você está prestes a completar 15 anos e nem imagina quantas surpresas bacanas vão acontecer em sua vida. Avessa às convenções sociais que lhe soam um jogo de aparências, recusou de cara o baile de debutante. Quer ser reconhecida não pela idade que tem, mas por sua forma de pensar e agir no mundo. Até vai publicar um livro!
Sei que você já está decidida a fazer o curso de Jornalismo porque você acredita que é o melhor jeito de transformar o mundo pra melhor. Está fazendo certo em estudar com vontade e dedicação, mas saiba que passar no vestibular é só o início de sua aventura e que você não é Mulher-Maravilha. XD 
Ai, que gracinha, vai se apaixonar também! E o melhor: vai ser correspondida, com direito a uma linda declaração. Quer um conselho? Quando o momento de ouvir o coração do homem que você ama acontecer, não saia correndo envergonhada! rs Diga o que está sentindo também, tolinha! 
Olhe, por mais forte que você seja, vai ter uma batalha existencial difícil de enfrentar que testará seus limites. A sua sensibilidade aguçada vai voltar-se negativamente e você vai passar por uma fase depressiva. Sua família e amigos irão lhe ajudar e tudo vai passar. Você entenderá também que só se supera a dor quando se produz a própria salvação. Por isso, autoconhecimento é tão essencial quanto conhecer verdadeiramente as pessoas ao seu redor.
Para finalizar, viva a vida em seu ritmo, dance, cante, encante! Não se subestime. Acredite em seus sonhos. Eles são como combustíveis para a vida. Você já sabe o que quer, como concretizar o que deseja e o preço a se pagar. Continue com este espírito límpido, bom e belo. Ah, nunca perca este brilho nos olhos! =D

quinta-feira, 19 de março de 2015

O sábio sentado


      Nestes ônibus em que a passagem aumenta e a qualidade diminui, conheci um senhorzinho com seus 73 anos de pura simpatia. Contando seus causos simples e com um humor invejável, ele me falou sobre sua mulher que, mesmo depois de 42 anos de casados, o faz se sentir com 18.
      No meio da prosa, a pergunta: “É casada?”. Resposta: “Não”. Ele me fez outro questionamento: “Tem mais de 20 anos?”. “Vish, tenho demais”, e ri. Em um tom enfático, quase profético, o senhorzinho completou: “Filha, passou a idade de você escolher seu marido, agora tem que achar quem te quer...” 
      Os passageiros em volta observavam a presença de um sorriso constrangido. O prazo de validade para festejar com pompa minha escolha amorosa tinha se esgotado na visão daquele senhor, pensei. “Isso é o que pessoas de espírito velho dizem. Mas, na verdade, independentemente do tempo, quando você descobrir o verdadeiro amor em alguém, e seu amado descobrir o verdadeiro amor em você, o momento certo surge sem pressa.” 
      Naquele exato momento, peguei minha pesada bolsa, desci no meu ponto de chegada. Era hora de partir.

terça-feira, 10 de março de 2015

Penas de fênix



Palavras são medidas
drásticas quando expressas
em poesias desmedidas

Sinta meu corpo e face
Na minha entrega faça
o vinho desfazer-se
dos limites da taça

Você quer se sentir santo
amando-me com cuidado
Meu coração arde no peito
Só com nosso beijo molhado
se queima todos os pecados

Quero viver quem eu sou
Now, it reborns my soul.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Microfone sinestésico


Um, dois, três... Testando...
Ouço a noite em plena tarde
Calor com ar condicionado ligado
Gota por gota destilo saudade

“Não vejo nada assim enlouquecida
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!”

Florbela traduz para mim
Versos de amor carmesim
Rio fluído de endorfina

Dureza ter alma feminina
Sentir prazer quando machuca
Todo poema me belisca!

sexta-feira, 6 de março de 2015

Funky kitten



Cara, eu tenho medo de me envolver. Tenho que fugir para as colinas. Correr para que esses pensamentos não cheguem até mim. Criar uma barreira segura. A armadura jeans que visto me deixa com mais frio. Seus lábios beijam-me por completo. Dos céus aos precipícios. Ainda quero mais... O que estou pensando? Caí numa armadilha e não quero me soltar. Refém do que sinto, o cativeiro é terrível. Isso é morrer de amor? Que ridículo é perder a vida desse jeito. Vou lutar. Sem demonstrar fraqueza, com indiferença, para deixar claro que realmente não quero sofrer. É fingimento, eu sei. Mas não suportaria você pisar, esmagar, chutar meus sentimentos. Definitivamente seria fatal.

Está é minha terceira vida...

Boy magia


- Fechou, então, vamos para a Classic sábado, às 11!
   Giovana acabava de fechar um contrato com sua melhor amiga para irem juntas a um inferninho badalado da cidade. As músicas não seriam do seu agrado, mas a possibilidade de dançar qualquer coisa que desse gancho para atrair um macho se tornava bem agradável de cogitar. Sua boca necessitava sentir o toque de outra boca, apreciar com todos os sentidos um pedaço de mau caminho. Se não rolasse o plano A, as carências seriam momentaneamente esquecidas com goles de catuaba.
   E lá estavam as companheiras na fila. A chuva começava a pintar na noite estrelada para estragar as chapinhas da mulherada. “Deixe-me entrar logo”, pensava Giovana com um pouco de impaciência. Observava as pessoas do lado de fora da fila. Já desconfiava que tinha se metido numa roubada. Muito mais mulher do que homem.
  Quando entrou, as coisas ficaram ainda piores. Era uma boate predominantemente gay. Estava muito fácil para Giovana entrar no ritmo de “I kissed a girl”, mas isso não a faria sentir com o “Light my fire” saciado. Resolveu beber sua fria Stella sem mais delongas. Dançou os funks da vida. Tá no inferno, abraça logo o capeta.
- Desculpe, pisei no seu pé!
   A moça não tinha dado a pisada propositalmente. E quando se desculpava, ao mesmo tempo em que se virava para ver quem ela tinha machucado, deu de cara com um rapaz moreno, lindo, alto, simpático e que sorriso era aquele? De fato, era um boy magia.
- Tá tudo bem. Você é hétero, linda?
- Sim, sou! E você?
- Eu também.
   A sorte de Giovana mudou de Stella para Johnnie. Isso era tudo que ela precisava saber para seguir seus instintos. 

quarta-feira, 4 de março de 2015

Ficção contemporânea


Meia-noite
A noite estrelada
é meu vestido

Dance, garota, dance
Consigo mesma
A consciência canta

Qual é o meu nome mesmo
no meio de tantas doses
de amor diluído?

Eu sou levada
a encarar a face
do desconhecido.

Qual é o seu nome?

terça-feira, 3 de março de 2015

Poesia crônica



Vamos nos perseguir até que a noite mágica faça desaparecer nossas sombras. Você já deve imaginar quem eu sou... Em cada linha eu vou dobrando meu próprio destino para cruzar com o seu. Escrevendo incessantemente para que a ficção se torne realidade. Isto faz ser quem eu realmente sou. Não quero fama vã. Não quero pomposos títulos. Não quero ser eu-lírico. Ou sou Eu em verdade mais cortante ou não sou nada além de formas estilosamente mortas. Se você é vento, então voe. Se você é homem, então penetre o vazio. Se você é pedra, espere ser furado. Se você for uma das tantas faces da poesia, deixe-me encontrá-lo. Você já deve imaginar quem eu sou... Por isso, vamos perseguir quem somos até que a noite mágica faça desaparecer nossas sombras.