segunda-feira, 17 de outubro de 2016

No céu de New Horizont


Folha samba cidade
no segundo céu lá lançada.
Bússola balança vibrante
o belo horizonte.

Poesia faz a felicidade
com mil letras dobradas.
É tão leve, suave a sensação.
Vai rasgar e abrir verão.

Sonho do seu segundo
lá no amanhã amanhecido.
Lar do amanhã, amanhecidos
Sonhos do nosso segundo.

Voo quente, doce luau
e poesia sem ponto final

......................................................................................................


AI-CAIS NO CÉU DE NEW HORIZONT (2ª versão)

Lá lançada
folha samba cidade
No segundo céu

Vibrante, belo
a bússola balança
O horizonte

Letras dobradas
fazem felicidade
Poesia mil

Tão leve, suave
a sensação vai rasgar
E abrir verão

Lá no amanhã
sonho do seu segundo
Amanhecido

Amanhecidos
sonhos do seu segundo
Lar do amanhã

Luau e poesia
voo quente, doce, breve
sem ponto final

Felicidade
com mil letras dobradas
faz a poesia

Recanto de pequis, ipês e sons


É da sua escuridão que brota a luz.
O corpo que a si próprio conduz, compreende-se.
Conhece a si mesmo.
Nasce como tal.

Lá no céu do Ser-tão,
o silêncio pede chão.
O seu tesouro de ouro é sal
que cai, sai do Sol.

Matas bronzeadas.
Lua e estrelas prateadas.
Interior aberto.
Porteira Cristal.

No centro concentra-se o verde-louro.
Grande chama, arco íris,
risos e rios doces, 
água que vira fogo,
água dourada com gás
que passarinho não bebe.
Goiás.

As nuvens do trem


Olhe de olhos bem fechados.
Está em branco todo o poema.

Debatendo, rebatendo,
Rebentando, arrebentando.
Entre vida e alegria
brotou a poesia.

Felicidade interior
germina de toda a cor.
Seja o que flor,
Semeie amor.

Lentamente, uma semente
penetrou na mente.
A planta nutriu-se de todos
os sons, signos e sentidos.

Ela e ele, ele ou ela.
O elo de sul, norte, de Sol, noite.
O selo da real conexão.
De mãos em mãos,
Somos todos irmãos.
Tempo, tempo, tempo...

Bem-me-quer, mal-me-quer
Daquelas belas pétalas
o silêncio do despertar.

Páscoa, paz, paz, páscoa
Se eu perder esse trem,
tem outro amanhã de manhã.

Duas linhas


Linha principal. A superfície para transitar entre os pontos. Já liguei todos eles neste meio tempo. Minhas mãos suam com frieza, enquanto camaradas abraçam a fraternidade entre seus iguais. Ando sozinha.

Participei ontem da burocracia festiva por cortesia, para manter a graça fundamental da peça que tem que continuar. Show business. É o preço banal e suportável a se pagar para estar dentro da sociedade e não à margem numa clínica psiquiátrica.

Os da superfície percebem um corpo feminino voluptuoso vermelho. Uma mera atração sexual. Um objeto culpado pelo tesão de outros. Vão se ferrar. É a mensagem que transmito ao encarar esses animais. E eles me obedecem roendo ossos descartáveis. Só perdedores sentem atraídos em gozar num objeto que despreza o sujeito e se repugna pelo desejo dele.

Ando intacta. Meu amante pega com suas mãos quentes as minhas. Sou o meio dele de Amor. Enquanto ele é o meu fim. A felicidade é inútil como qualquer outra Arte.

Des(vendado)


As coisas que podem ser mudadas, eu mudo. As coisas que não podem ser mudadas, mudo-me. E, desta forma, tudo se transforma.

Certezas universais


Filmei um buraco negro no vácuo do meu jardim secreto. Resultado da soma das emoções negativas mal processadas e armazenadas. Professor Nitinho já dizia que só os tolos são convictos, portanto, destruí meu recipiente de verdades convictas e invictas. Esvaziei-me delas por estarem grandes demais nas minhas sensibilidades e apertando-me a razão.

Bomba atômica para certezas que me erravam por dentro, certas sensibilidades foram desintegralizadas como efeito colateral. Os neurônios espelhos, responsáveis por refletir o sentir do outro, refletiam nada além do meu sofrimento no outro. Crenças mortas, sensações mortais, morrer assim dói demais. Reconstruir novas bases para a existência do ego fez surgir um novo Eu idílico. Desconstruir-se é hiroshimástico e nagazakastivo. Uma detonação dos nossos sonhos por alguém que amamos muito. E eu me amo muito, mas sofri os próprios pensamentos.

Cada nova neuroquímica construiu uma nova forma de usar a razão e a emoção, reformando a física cerebral. Transformei-me. Sofri uma boa, verdadeira e bela transformação. Caminhei em um só tempo três dimensões das janelas abertas à cognição sensível dos budas. Depois dos cacos, depois do caos, a bondade, a verdade e a beleza se expandiram demais para permanecerem na antiga forma. As três molduras que recortavam cada uma um pedaço do mesmo quadro perderam os próprios limites que os delimitavam em três perspectivas diferentes. A trilogia tornou-se antologia. Os três poderes se uniram em união. A divina trindade se consubstanciou em unidade. O trigo se transubstanciou em pão integral. O vinho trivial se viabilizou em milagre de sentido único que se vive somente uma vez.

Sou consciente disso. Eu te disse. Sou consciência disso tudo.

E sobre esse oceano sem fim



Você perdeu o ar,
mergulhando nas profundezas do meu ser.
Tarde demais para voltar à superfície.

A água que agora lhe afoga
é a mesma que lhe afaga.
A beleza que agora lhe trai
é a mesma que lhe atrai.

Não se preocupe mais
com o inevitável e imprevisível.
Uma alma elevada
teve antes que estar em queda.

Você achou o amor,
mergulhando nas profundezas do meu ser.
Tarde demais para voltar à superfície.

Ei, recupere logo o fôlego!
Você achou o amor.
Esse oceano sem fim...