
A arte primitiva, para muitos no meio intelectualizado, se mostra importante, sobretudo, como produto da História. Um poema me mostrou além desses limites conceituais. No âmago das minhas sensações, onde eu morria de rir por escrever, percebi que os leitores também riram do que escrevi em versos. A minha sensação foi entendida e sentida, subjetivamente, por muitos leitores. Isso foi muito mágico, catártico, para não dizer, transcendental. É tanta coisa para poder fazer referência e inferência, tendo, portanto, que rever mais fortemente meus conceitos, não só no sociologicamente aplicado na sociedade; mas, também, na arte, aceitando, de fato, a diversidade das culturas, sem etnocentrismo e com criticidade.
Apreciar o primitivo é feito, ainda, nos nossos dias modernos/ pós-modernos/ contemporâneos: já vi muitas mulheres comprando brincos de penas coloridas; colares de sementes; adornos de ouro; jovens usando alargadores como os nativos brasileiros faziam/fazem; homens com cabelos grandes; raves; chás medicinais que os pajés já conheciam os efeitos terapêuticos...
Eu sou fascinada por Sociologia da Arte e tenho que citar o pensamento de Marx e Engels, mesmo que, claramente, como afirmam outros teóricos, isso fuja ao materialismo histórico:
“Um homem não se pode tornar de novo criança, a menos que se revele infantil. Mas não aprecia os modos despretensiosos da criança e não deverá esforçar-se por reproduzir a verdade delas num plano mais elevado? Porventura o caráter de cada época não é revivido perfeitamente em conformidade com a natureza na natureza da criança? Por que razão a infância social da humanidade, quando obteve o seu mais belo desenvolvimento, não exercerá um encantamento eterno como uma idade que jamais voltará? Há crianças mal criadas e crianças precoces. Muitas nações antigas pertencem a esta última classe. Os gregos eram crianças normais. O atrativo que a sua arte apresenta para nós não conflita com o caráter primitivo da ordem social de que brotara. É antes o produto desta e devido ao fato de que as condições sociais imaturas sob as quais a arte surgiu e sob as únicas em que poderia aparecer nunca se poderiam repetir” (Marx; Engels, 1986, p. 54; apud, Viana, 2007, p. 21).
Portanto, a arte primitiva, na vida adulta, deve surgir como material artístico, pois, só assim, a infância será compreendida como um plano mais elevado na visão da produção do capital cultural, social e econômico. Ou seja, para uma sociedade em que as normas e os valores circulam o objetivo capitalista, o infantil é lucrativo enquanto Arte.
Referência:
VIANA, Nildo. A Esfera Artística: Marx, Weber, Bordieu e a Sociologia da Arte. Zouk, Porto Porto Alegre, 2007.