sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Uma boa dança

Passo a passo. Não preciso de precipitações bobas e tombos desnecessários. Olho para trás para poder descrever essas palavras dançantes entre folhas.  Falando, desse jeito, pareço ser calculista? Engane-se quem puder.

E, assim
, vou dando risadas das projeções dignas de poemas românticos, pois o desejo se torna irreal em demasiada idealização. Posso até ver as cores cintilantes de sua dor. O seu grito não é mais profundo que meu silêncio. Se ainda julga-me insensível, não posso mesmo acompanhar você, querida criança.

A minha história se mistura com a de várias pessoas. As mais diferentes e iguais possíveis. Nesse meio tempo, também estava me conhecendo. Além do que se vê. Construí esse olhar distante em outros tempos, é verdade. Se visualizasse só problemas, os sonhos não seriam sonhos.

Você acreditaria se eu falasse que, depois de certo tempo, encontrei o que eu sou? E depois de ter me encontrado pude ver a outra parte que me falta também? Na realidade, nós sempre estamos nos buscando.

Agora, não me fale sobre a sorte. Esta palavra pouco vai ser útil. Oportunistas, acredito que sejam essas pessoas ditas por sortudas.

Depois de tudo, entre precipitações e tombos, estou aproveitando o ritmo da vida para uma boa dança. E nada mais.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Relógio de parede

- Você me entende?

Se a amiga balançasse afirmativamente a cabeça para demonstrar que tinha entendido a história de Camila, seria mais um esboço vazio de compreensão. Mas, se demonstrasse o contrário, os sentimentos poderiam ser feridos. Entre o sim e o não, Amanda preferiu o “mas é lógico!”.

Camila dizia que estava amando. Mais uma vez? Se ela tivesse descrito de forma muito minuciosa, falando detalhe por detalhe de cada característica do novo boy, Amanda mudaria de canal, porque Lagoa Azul pela enésima vez não dava.

- Pois é, que da hora, boa sorte então!

Disse Amanda à recém-apaixonada. De um desejo de felicidade para um olhar desconcertante. Camila abaixou a cabeça, olhou para um lado. O relógio marcava 4 e 25 da tarde. Horas exatas para um momento impreciso.

- Vai com tudo, linda, é só não ter medo! Se tudo der errado, bem... Se tudo der certo, amém!

Para Amanda, amar era uma questão de coragem, sem ter medo de ser feliz. Uma teoria, aliás, que ela mesma não botava em prática. Porém, como estava mesmo fora da situação, seus palpites pareciam adequados.


O celular de Camila tocou. Esperava que fosse seu amado Tiago na linha, mas era só mais uma mensagem de cobrança da Oi. Nem tinha como ser diferente. Ela nem sequer estava adicionada no perfil de Facebook de Tiago. Só que o temor antecipado era tanto que causava sofrimento a Camila antes mesmo de alguma coisa acontecer.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Infinito

Atomicidade que passa em flashes nos glóbulos
que perpassam fluente o material e o etéreo
Substância
O construtor se integra na solitude da viagem
de ser o que se entrega na plena união de inteiros
Unidade
O centro sem cessar de movimentar/repousar
flui no que atrai e encontra o que lhe atrai
Essência
O caos ao redor deixa de coisificar dor para ser 

a música interior que lá fora soa superfície
Harmonia
Divisas de linhas interligadas nas vozes
em inconsciente consciência de desmonte aos montes
Nós
Dois lados são a mesma moeda da manifestação
do que importa/exporta no valor que possui
Sentido
Deus desmancha a aparência da criação
A criação cria a ação da dimensão do que tudo é

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O Silêncio não quer nos dizer nada

Atos ignorados de pessoa inexistente
Não pode existir o que não se conhece.

Machuque o que não se ama
São apenas seres humanos
Esqueça sempre da sua essência
Para não ter vinganças de espelho.

A vida banalizada
O assassino não esperava o mesmo fim
Prova da fraqueza do ego
Ferido pelo próprio tiro
Escorrendo todo o seu vermelho.

Construções melhores e mais nobres
Poderiam ter sido feitas
Em todo caso
O que nos resta agora...

Silêncio.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Reproduzindo a produção

Tão acostumado a ser você mesmo... Vê umas palavras que nem sequer são bem compreendidas, na verdade, lhe causam desconforto mental. E você segue, inteligivelmente, na sua mente induzida como uma promessa de espelho. Decorando a superfície.

Está escrito, está num livro bem aceito em larga escala pela mídia e críticos literários. Reproduzir isso lhe faz ser cool. Produto de matriz de outra, alguma personalidade.

Bom, quero ser quem eu sou. Sem rótulo, sem vaidade, em essência. Comer maçã. Saber sentir saborear. O saber sentido pelo saborear. Não pelo dos outros, apreciar pelo meu. Meu sentido.